Quando começou a trabalhar na década de 40 para criar os sete filhos depois da morte precoce do marido, Marina Silvia Cruz ajudou a quebrar tabus que para os padrões da época pareciam intransponíveis. Funcionária da Fundação de Economia e Estatística de Porto Alegre (RS), ela tinha no sangue o espírito batalhador dos seus pais, imigrantes italianos que atravessaram o oceano em busca de melhores condições para viver. Marina, aliás, recebeu esse nome porque foi no caminho para o Brasil que ela foi gerada.

Ao relembrar a história de sua avó materna, Silvia Cruz Perrone, Diretora de RH da área de negócios Elevator Technology da thyssenkrupp para o Brasil, nos ajuda a entender o papel da mulher na construção da sociedade brasileira. Como ela, outras mulheres foram pioneiras e abriram caminho para as gerações futuras, como a da própria Silvia. “Quando penso em alguém que é uma referência profissional e inspiração de vida, me lembro da minha avó, uma mulher batalhadora que viveu até os 96 anos”. Silvia se recorda de ainda pequena ficar esperando a avó chegar do trabalho, o que era raro entre suas colegas, pois a maioria tinha avós que faziam bolos e cuidavam dos netos.

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Na década de 40, quando a avó Marina começou a trabalhar, a mulher começava a abrir espaço na sociedade, com o direito ao voto e a salários iguais sem distinção, como determinava a Constituição de 32. De lá pra cá muita coisa mudou, mas nem tanto. A igualdade salarial, por exemplo, ainda não é realidade em muitos países, como também o número de mulheres em cargos de liderança e CEO. Apenas 5% dos postos de chefia de empresas e de CEO são ocupados por mulheres no mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

No Brasil, a realidade não foge à regra mundial, mas se olharmos para o universo da thyssenkrupp Elevadores o panorama é um pouco distinto. “A remuneração é igual independentemente do gênero”, atesta Silvia. O número de mulheres em cargos de liderança ainda é pequeno. Silvia explica, porém, que o objetivo mundial da empresa é ampliar para 15% a participação feminina até 2020, ou seja, daqui a quatro anos. A meta é ousada e para tanto, a empresa investe em programas para incentivar a Diversidade. “Já tivemos dois eventos, um na China e outro em Singapura e, ainda este ano, pretendemos ter uma edição no Brasil com todas as unidades thyssenkrupp. O objetivo do programa é discutir com as lideranças femininas o papel da mulher na empresa e a participação se estende também aos homens que trabalham com mulheres”, explica Silvia.

Mas nem tudo são flores. Alguns empates culturais existem, ainda mais quando a mulher ocupa cargos que tradicionalmente são dos homens, como as atividades de campo relacionadas à manutenção de elevadores. “A mulher comandar 10, 15 homens ainda gera desconforto em alguns”, reconhece a Diretora de RH. Mas, segundo Silvia, a tendência nas grandes corporações, não só no caso da mulher, é a diversidade, que contempla grupos multifuncionais com perfis diferentes, dividindo tarefas no dia a dia. “A diversidade vai aumentar, mesmo porque os mais jovens já têm essa cultura. Eles têm menos preconceito e se tratam como iguais, exceto em algumas culturas. Mas a mulher também tem que fazer a sua parte, tem que falar: eu quero, eu posso e eu vou conseguir. Faz parte do processo “empoderar-se”, ou seja, participar das decisões e ter consciência do seu papel na sociedade”.

Apostar nas mulheres no comando parece ser mesmo uma opção vantajosa, inclusive para a saúde financeira das empresas. Um estudo divulgado pela OIT concluiu que há uma ligação entre a liderança feminina e o bom desempenho de uma companhia. Quais seriam as atribuições femininas por trás dessa boa notícia? “O diferencial da mulher começa com o nível de competição. Para nós, competir tem relação com construir em conjunto, em equipe, harmonizar as diferenças. A mulher também sabe ouvir mais é mais aberta para o diálogo e, é fato e até cientificamente provado, a mulher é mais multi e consegue desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo. O emocional também conta a nosso favor. Temos habilidade para ponderar, resolver com calma e ter paciência. Afinal de contas, aprendemos desde cedo a equilibrar a balança e dividir o tempo entre o profissional e o pessoal, estar atenta a casa, aos filhos e aos companheiros”, conclui Silvia, a neta de Marina.

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