Segundo pesquisa da International Business Report (IBR) – Women in Business, realizada pela Grant Thornton, em 36 países, o número de mulheres em cargos de liderança no Brasil subiu de 5% em 2015 para 11% neste ano. Apesar da melhora, as empresas brasileiras ainda figuram com uma média geral de 19% de cargos de alto escalão ocupados por mulheres, índice abaixo da média global, de 24%.

Primeira mulher a ocupar um cargo de liderança na área de Manufatura da thyssenkrupp Elevadores, Cláudia Bothona, vivenciou de perto essa evolução e quebrou paradigmas. “Durante muito tempo, me vesti igual aos homens até para não chamar a atenção no chão de fábrica. Hoje, me permito usar rosa choque, passar batom e fazer chapinha no cabelo. O respeito tem que existir, antes de tudo, independente do gênero.”

Ela sabe, porém, que ainda precisa administrar situações como a de clientes que visitam a Fábrica e estranham quando ficam sabendo que uma mulher é a responsável por manter todo o processo produtivo funcionando. “A minha área, engenharia, ainda é muito masculina, mas o inverso também acontece e temos áreas na empresa que são muito femininas. Por isso, a diversidade de gênero é importante, não só para o caso da mulher. Precisamos unir forças, homens e mulheres, nas suas competências”, defende.

CLAUDIA BOTHONACláudia Bothona – Gerente de Manufatura da thyssenkrupp Elevadores.

A thyssenKrupp opera em indústrias tradicionalmente dominadas por homens, e esse legado ainda é presente nos dias de atuais. Em 2014, 8,8% dos cargos de chefia eram ocupados por mulheres. Hoje, são 10,2% e a meta é atingir 15% até 2020. “A diversidade de gêneros é um dos focos do pilar Diversidade e Inclusão e uma das metas corporativas da thyssenkrupp é aumentar o número de mulheres em posições de liderança em nível mundial”, afirma Silvia Perrone, Diretora de Recursos Humanos da área de negócios Elevator Technology da thyssenkrupp para o Brasil.

A diversidade de gênero foi tema do Workshop SHE@thyssenkrupp que reuniu cerca de 100 lideranças femininas de várias Áreas de Negócios da thyssenkrupp do Brasil e de outros países da América Latina no último dia 23, em Porto Alegre (RS). Durante o evento, as participantes puderam compartilhar suas experiências sobre como equilibrar a vida profissional e pessoal e os desafios do trabalho em uma organização global.

“O evento foi um sucesso, trouxemos a empresária Geovana Donella, que nos contou sua trajetória inspiradora; houve também diversos momentos de troca de experiências entre as mulheres de todas as Áreas de Negócios, bem como de estados e países diferentes. As propostas de ações em busca de resultados, agora farão parte de uma nova etapa que construiremos em conjunto com as demais empresas thyssenkrupp”, avalia Silvia.

Apesar do perfil tradicionalmente de líderes homens, a thyssenkrupp Elevadores Brasil possui 52 mulheres em cargos de liderança, o que representa 12% do total. “As oportunidades oferecidas para o crescimento profissional são iguais, independentemente do gênero”, destaca Silvia.

Segundo a Diretora de RH, dizer que não existe certa resistência algumas vezes é difícil, mas é preciso ter um olhar especial para trabalhar mais a diversidade nas empresas. “Muitas lideranças masculinas preferem trabalhar com mulheres e aqui na empresa temos casos de técnicas de manutenção que são muito elogiadas pelos clientes por serem mais atenciosas e observadoras.”

Para Silvia, a mulher tem que buscar o seu espaço e não colocar como desculpa pela falta de oportunidade a questão de gênero. “Tem que ser competente, fazer o que quer e fazer certo, com ética, posicionamento e preparo.”

A Gerente das Filiais Goiás e Tocantins, Alexsandra Alves de Carvalho, e a Coordenadora da área de Project Manager Office, Josete Costa da Rosa, são exemplos de lideranças femininas da thyssenkrupp Elevadores. Ambas, possuem trajetórias de sucesso pautadas pela competência, ética profissional, além de muita garra e força de vontade para vencer os obstáculos e quebrar paradigmas.

Há 14 anos na empresa, Alexsandra começou como estagiária de comunicação na Filial Minas Gerais, em Belo Horizonte, atuando na central de relacionamento com o cliente. Sua primeira experiência como líder foi como encarregada do departamento administrativo, onde tinha uma equipe de seis pessoas. Mas, ao longo de sua carreira na empresa, já chegou a coordenar 180 pessoas, quando assumiu a área de Serviços da Filial MG, e hoje gerencia cerca de 80 pessoas.

Comunicativa e expansiva no trato com as pessoas, ela sempre procurou delimitar o espaço a partir do respeito. “Sempre coloquei limites em determinadas abordagens. Se você impõe uma relação contratual de trabalho e estabelece algumas regras, mesmo tendo esse lado comunicativo, como eu tenho, as pessoas te enxergam com respeito”, avalia Alexsandra.

Ao longo de sua experiência, ela já sentiu a pressão por ser mulher, mas aprendeu a sair dessas situações com competência. Para ilustrar, ela relata o que viveu durante uma reunião com dez engenheiros para discutir um contrato de modernização dos elevadores de uma grande empresa. ”De cara me pediram para fazer a ata da reunião. Alegam que a letra de mulher é mais bonita, mas acho que é um pouco de machismo. Durante a negociação os ânimos se exaltaram e fiquei só observando, até que um deles virou e perguntou se eu estava ali só para fazer a ata. Respondi que estava esperando a oportunidade de falar e educadamente elenquei cada um dos problemas apresentados e as soluções que a thyssenkrupp tinha para oferecer, conforme a estratégia que eu tinha preparado para a reunião. Em dez minutos conseguimos resolver as questões e assinamos a ata. Ficou nítido pra mim o quanto eles queriam me pressionar, me ver como o sexo frágil, para saber se eu tinha capacidade para dar a resposta à altura que eles queriam ouvir. Eu fui pela humildade, não entrei na onda deles de discussão. Foi a minha estratégia e deu certo”, conta Alexsandra.

Imagem1Alexsandra Alves de Carvalho – Gerente das Filiais Goiás e Tocantins.

No dia a dia com os colegas, ela também adota uma postura bem transparente e firme para deixar claro o que é uma decisão participativa e uma diretiva, com cumprimento de prazos. “Procuro sempre me colocar no papel do cliente e questiono a equipe sobre as decisões a serem tomadas. Gosto de trabalhar dessa forma, pois não sou da área técnica, mas acredito que para gerar resultados através das pessoas tem que ter uma boa comunicação.”

Com apenas 16 anos, Josete entrou para a empresa como estagiária na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e confessa que não foi muito fácil vencer as barreiras em um setor dominado por engenheiros. “No começo, pensei em desistir por várias vezes. Mas eu tinha um sonho e nunca desisti. Mas percebo que sempre tive que fazer um esforço maior por ser mulher, mostrar que sou capaz. Mas, quando você consegue mostrar a sua competência, vem o reconhecimento e o respeito”.

O universo masculino sempre teve uma presença forte na sua vida profissional e pessoal. O pai, senhor José Adenir, foi o grande inspirador de sua opção profissional. Lendo seus livros, Josete, começou a se interessar pela área de eletrônica, algo incomum para uma menina. Da mãe herdou uma postura mais racional, que acabou forjando a sua personalidade, inclusive na forma de liderar, o que a ajudou no convívio com os colegas de trabalho.

Josete atuou por um período na área de Qualidade e Manufatura Elétrica, mas a maior parte do tempo desempenhou suas atividades no PDC – Product Development Center (P&D). Começou na área de homologação de produtos, onde teve um rico aprendizado sobre novos componentes e subsistemas aplicados ao elevador, posteriormente acabou se envolvendo nos estudos sobre normas de elevadores nacionais e internacionais, certificação e testes em laboratório, conhecimento que é muito útil no trabalho atual. Aos poucos, o escopo de trabalho foi aumentando e aproveitou a oportunidade para atuar em projetos menores, auxiliando os engenheiros na condução de reuniões e acompanhamento de prazos dos projetos. Em paralelo a isto, participou dos treinamentos de lideranças e gestão que a empresa subsidiou e que a auxiliaram no papel que desempenha hoje como líder de equipe.

Com o crescimento profissional foi convidada para coordenar a criação da área de PMO, que responde pelo gerenciamento dos novos projetos de engenharia da empresa, seguindo as diretrizes mundiais da empresa. “Quando recebi o convite bateu aquele medo, pois sabia do desafio, mas aceitei na hora, pois era um sonho. O amor pelo que eu faço, me ajuda a manter o foco e ter força para avançar”. O trabalho é complexo e engloba interfaces com todas as áreas da empresa em nível nacional e global. Diretamente, Josete coordena uma equipe de três analistas de projetos e dois estagiários, além disso, apoia a diretoria e os gerentes de P&D na gestão do portfólio de projetos, o que exige a prática da liderança diária para atingir as metas estabelecidas.
Josete (3)Josete Costa, coordenadora Project Management Office.

Nascida no interior de Minas Gerais, Alexsandra precisou quebrar um ciclo familiar, onde a mulher tinha que casar ou ser professora, para seguir seus sonhos. “A mulher querendo ou não traz essa formação para a vida. Precisa ter um olhar positivo, senão você acaba carregando essa carga emocional para uma realidade quer é muito mais aberta”. O preconceito, para ela, existe, mas está na cabeça de cada um. “Eu não vou limitar minha vida pela opinião dos outros. Procuro ter um olhar mais positivo sobre as coisas e dar atenção às oportunidades. O sucesso, se acontecer, independe de ser mulher ou homem”.

Conciliar a vida profissional e pessoal é um dilema comum à maioria das mulheres e a realidade de Josete e Alexsandra é muito parecida. Casadas, querem ser mães, mas ainda estão planejando a chegada dos filhos, pois querem exercer a maternidade na sua plenitude, sem deixar de ser boas profissionais.

Olhando ao redor, em um mundo ainda liderado por homens, a referência feminina que inspira a vida profissional de Alexsandra é a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. “Eu vejo nela uma liderança inspiradora, mesmo que seja na posição de primeira-dama, pois infelizmente a sociedade tende a subjugar a esposa que vive em função da casa, da família, mas é na verdade um dos maiores desafios estar à frente de uma boa estrutura familiar.”

Para Josete, uma referência em liderança feminina da thyssenkrupp é a Gerente Global de PMO (Project Management Office), Beatriz Gonzalez, responsável pela implantação da metodologia de gerenciamento de projetos do PMO no mundo. “Ela é uma fonte de inspiração por seu desempenho profissional. Eu a conheci durante o trabalho que realizei no Brasil para a criação da área de gerenciamento de projetos, e para o qual ela me deu muito apoio e eu aprendi muito com essa experiência.”

Na empresa, o Workshop SHE@thyssenkrupp foi para ela um momento histórico e divisor de águas. “Nunca falamos abertamente sobre este assunto com a alta gestão, e é uma honra fazer parte deste processo de mudança e inclusão. Além disso, houve espaço para pensarmos de forma individual e coletiva no desenvolvimento pessoal e na carreira, falando de desejos, sonhos e ainda como atingir o equilíbrio para uma vida mais harmônica”, avalia Josete.

 

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