Segundo a Organização das Nações Unidas, até 2050 cerca de 6 bilhões de pessoas, ou seja, 65% da população mundial viverão em cidades. Essa tendência é acentuada nos países em desenvolvimento, sendo a América Latina, com 80% de população urbana, um dos maiores exemplos dessa realidade. Com a intensificação da urbanização, novos modelos de cidades já começam a ser pensados e postos em prática mundo afora.
São as chamadas smart cities ou cidades inteligentes, conceito ainda em evolução, mas cuja ideia central é apresentar um novo sistema de governança urbana que incorpora soluções tecnológicas de informação e comunicação (TIC) para modernizar e facilitar a gestão dos serviços.
Nesse novo modelo de cidade, o cidadão deve estar engajado nos processos e a tecnologia da informação deve ser usada para resolver problemas sociais, econômicos e ambientais, gerando bem-estar social e melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.  “Novas demandas surgem para novas soluções de transporte, educação, saúde, geração e distribuição de energia, segurança e alimentação, todas sob os princípios de eficiência, descentralização e interconexão”, observa Mario Monzoni, coordenador acadêmico do curso Master em Gestão e Sustentabilidade da FGV Management.
Algumas cidades se destacam na implementação de soluções e ações nesse sentido, sobretudo na Europa. Amsterdã, na Holanda; Barcelona, na Espanha e Estocolmo, na Suécia são três grandes exemplos em termos da convivência entre pedestres e motoristas no centro da cidade com o apoio de smartphones, do desenvolvimento de mapa digital (apresentando a localização exata dos trens, táxis, metrôs e ônibus) e da abordagem sistêmica dos temas de mobilidade, energia e consumo de recursos naturais.
No Brasil, o caminho para a modernização urbana e a incorporação dos atributos das cidades inteligentes em sua realidade ainda é longo.  Segundo o arquiteto e urbanista Carlos Freire, autor do livro Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes, ainda vivemos em cidades difusas e mono funcionais, com demandas de deslocamentos excessivos. “Essa realidade decorre de um modelo exaurido onde moradia, trabalho e lazer estão desconexos. No modelo do século 20, de crescimento com esgotamento, as cidades cresceram sem planejamento e ordenamento. Assim, estamos longe de ter metrópoles inteligentes e sustentáveis”, opina.
Embora a discussão sobre cidades inteligentes seja recente no Brasil, setor público e academia já começam a se articular em torno do desenvolvimento de planejamentos estratégicos de sistemas urbanos mais conectados e de soluções tecnológicas para atendê-los.
Uma iniciativa importante para o desenvolvimento de soluções para as chamadas cidades inteligentes é o Smart City Innovation Center. A intenção com a inauguração do centro, implantado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC RS é propiciar um ambiente para pesquisa, desenvolvimento e inovação nas áreas relacionadas à Internet das coisas e às cidades inteligentes.
De acordo com Fabiano Hessel, coordenador do laboratório, neste ambiente será possível realizar testes, protótipos e provas de conceitos que gerem competências e valor agregado para o ambiente produtivo.  “Existem alguns outros centros no Brasil, mas não com o foco de pesquisa aplicada a soluções de mercado. A PUCRS espera que o SmartCity Innovation Center se torne uma referência na área, tornando-se um polo de atração de projeto, negócios e parcerias que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos”, afirma Hessel, lembrando ainda que o centro está aberto para parcerias de desenvolvimento de cursos, workshops e seminários sobre ambos os temas.
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