As mudanças nas relações de trabalho e como elas estão impactando
na rotina das empresas e na vida das pessoas são o objeto de estudo
do americano Jacob Morgan. Graduado em Psicologia e
Administração de Empresas, além de escritor e palestrante, ele é
cofundador da organização Comunidade do Futuro do Trabalho, uma
rede global onde empresas ao redor do mundo compartilham as
melhores práticas de gestão e debatem sobre evolução do trabalho
colaborativo.

Em seu último livro “O Futuro do Trabalho: Atraia Novos Talentos,
Construa Líderes Melhores e Crie uma Organização Competitiva” ele
pontua os princípios que tanto colaboradores, quanto organizações
devem esperar no futuro. Na sua avaliação, criar um ambiente de
apoio; medir o que importa; liderar pelo exemplo e concentrar-se no
valor individual antes do corporativo são alguns dos desafios que as
empresas terão pela frente. “Definitivamente podemos esperar mais
liberdade e flexibilidade, mas também maior ênfase na prestação de
contas. Tecnologia vai se tornar como o ar e será a espinha dorsal da
nossa forma de trabalhar e viver”, atesta Morgan em entrevista para a
thyssenkrupp.

O que te motivou a se dedicar e estudar as relações de trabalho?
Em meu primeiro trabalho depois da faculdade, me disseram que eu
iria viajar, me reunir com empresários e trabalhar em projetos
interessantes. Em vez disso, eu estava preso fazendo powerpoint,
ligações entediantes e processando dados. Esse foi um dos últimos
trabalhos em que eu trabalhei para alguém. Depois disso, comecei a
ficar fascinado com a forma como o trabalho está evoluindo.

De que forma a organização Comunidade Futuro do Trabalho, na
qual você é cofundador, tem contribuído para o debate sobre o tema e onde vocês desejam chegar?

A organização tem representantes ao redor do mundo? Em quais países?A Comunidade Futuro do Trabalho é uma rede global que reúne
lideranças de empresas do mundo todo para discutir o futuro do
trabalho. Nós olhamos para temas como a estrutura do local de
trabalho, a experiência do empregado, geração do milênio,
freelancers, robôs e automação, colaboração e muito mais. Isso tem
ocorrido em torno de um ano e já temos mais de 60 marcas globais,
incluindo Linkedin, Air France, Cisco, Sanofi, Wells Fargo e muitos
outros. Nossos membros estão nos Estados Unidos, América do Sul,
Europa, Canadá e Austrália.

Ao longo de quase uma década de envolvimento com o tema, o
que você pode avaliar como ultrapassado no campo do trabalho?
Se eu tivesse que fazer uma lista eu começaria com o básico, como
ferramentas de trabalho, avaliação anual de desempenho, hierarquia,
comando e controle das maneiras de se trabalhar, utilização das
tecnologias aprovadas pela empresa, nossa configuração de trabalho,
que foca mais nos processos que nos resultados. Esses são alguns
lugares comuns para começar!

Como as empresas podem nortear as relações de trabalho no
futuro? Há uma solução muito simples, que é como as organizações
podem equilibrar o controle com a liberdade do empregado. A solução
é a transparência. Quanto mais aberto e transparente você pode ser
com seus funcionários, mais fácil será para construir e manter um
relacionamento com eles.

O modo como o trabalho será pensado
daqui a 10, 20, 50 anos será cada vez mais baseado na tecnologia.
Contudo, quais são os valores individuais e interpessoais o
trabalhador deve buscar para equilibrar a vida pessoal e
profissional?
Há muitas coisas e eu tenho explorado algumas delas no meu livro O
Futuro do Trabalho. As habilidades de comunicação nunca foram tão importantes uma vez

que nossas mensagens e ideias estarão em todas as mídias em forma de texto, voz, mensagens mais longas em e-mails, mensagens curtas em atualizações de status, vídeo etc. A segunda coisa é que precisamos nos concentrar em ser mais intraempreendedores, ou seja, ter mentalidade de empresário e trazê-la para dentro das empresas. Finalmente, devemos ter nosso desenvolvimento pessoal e profissional em nossas próprias mãos. Não
podemos confiar em escolas ou empresas para nos ensinar tudo sobre termos sucesso, o que significa dizer que a habilidade mais importante
do futuro é aprender e aprender;
O que o trabalhador pode esperar do futuro do trabalho?
Definitivamente podemos esperar mais liberdade e flexibilidade, mas
também maior ênfase na prestação de contas. Tecnologia vai se
tornar como o ar e será a espinha dorsal da nossa forma de trabalhar
e viver. Assistentes inteligentes vão orientar e nos ajudar na obtenção
de nossos trabalhos. Trabalho também se tornará muito mais algo que
você levará consigo, ao invés de algo que você faz ou um lugar onde
você vai para trabalhar. Equilíbrio de trabalho-vida vai desaparecer e
será substituído por integração entre a vida profissional e pessoal,
onde nós traremos nossa vida pessoal para o trabalho e nosso
trabalho para nossas vidas pessoais. Finalmente, veremos o emprego
de longo prazo desaparecer completamente, com funcionários
trabalhando para mais de uma empresa e experimentando a economia
freelance.

Você já teve a oportunidade de conhecer o Brasil? Caso
sim, como você avalia a evolução das relações de trabalho no
país? Tive a oportunidade de visitar o Brasil há alguns anos e devo
voltar este ano. Infelizmente, eu não passei tempo suficiente no Brasil
para ser capaz de responder bem a esta pergunta. Eu sei que o Brasil
está passando por alguns desafios agora e eu espero que isso abra
portas para mudanças e oportunidades.

O que te mantém inspirado em seu trabalho?
Eu realmente amo o que faço. Para mim meu trabalho é único. Eu
gosto de dar palestras, estar presente em reuniões, pesquisar
empresas em todo o mundo e procurar saber com o que o futuro do
trabalho se parecerá. Este é um tema muito amplo que abrange muitos tópicos, então eu nunca me entedio. Eu também quero fornecer o máximo de valor e conteúdo que eu puder para quando as pessoas
pensarem sobre o futuro do trabalho que eu gostaria que elas
pensassem.

jacob-morgan

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